Economia, política e justiça no Brasil do gerúndio, por Capablanca

Agora estamos vivendo o Brasil do gerúndio. Tudo que é positivo só existe no gerúndio. A economia está se recuperando, Os empregos estão sendo retomados. A confiança está voltando aos mercados. Os empresários estão retomando seus planos de investimento. Os bancos estão cogitando de voltar a emprestar às empresas. O défict público está fazendo uma curva rumo ao equilíbrio. A taxa de câmbio está se acomodando. O investidor estrangeiro está voltando.

Para fazer justiça à dupla mais medíocre que já dirigiu esta sereníssima república (Michel Temer e Henrique Meirelles), uma coisa é fato concreto: a inflação caiu. O governo tem se esforçado para não deixá-la cair a zero, aloprando nos preços administrados, como os da gasolina, do gás butano, da energia. A dupla Dilma-Mântega empurrava-os artificialmente para baixo, a dupla Temer-Meirelles empurra-os artificialmente para cima. Se a inflação cair a zero, o Banco Central ficará completamente nu no palco da ciranda dos juros. E isso simplesmente precisa ser impedido de acontecer. Só por isso a inflação não vai a zero.

Na economia vai assim a carruagem dos fatos, para não falar em caravanas.

Na política, um presidente sitiado, praticamente preso nos palácios, não pode sair, não pode circular. Sua agenda é metade secreta e a outra metade se resume a reunião com ministros e encontro com parlamentares da base. E já lá se vão quase dois anos assim. A imprensa sustenta o governo. No Congresso, negociações, apenas, no pior sentido da palavra. É a barganha da impunidade e das reformas, mais nada. Está vedada a discussão do país. O Brasil é a reforma, nada mais. A impunidade é apenas outra barganha para passar as tais reformas que não passariam pelo voto livre e só alguém muito medíocre se dispõe a bancar.

No campo jurídico-policial-midiático, os procuradores do Ministério Público associam a Lava Jato às eleições de 2018. Isso mesmo que você leu, por mais estranho que possa parecer. Os procuradores do Ministério Público lançam um manifesto político e fazem recomendações para os eleitores sobre 2018. E no texto, cheio de números gordos, não há gerúndios.

E assim está caminhando o Brasil do gerúndio. É o Brasil feito Curupira.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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