Cuidado com o que você deseja! por Rosana Medeiros

Há alguns anos, dizíamos que o brasileiro deveria se interessar por política assim como se interessava por futebol.
Que triste engano. O destino ouviu e uma massa de brasileiros começou a se interessar pelo tema, assim como se interessa pela campeonatos, quem tem mais espaço na mídia ganha mais propaganda e, consequentemente, dinheiro, poder e torcida fiel.
O problema é que nessa várzea que se tornou a política do Brasil pós-impeachment, os craques são os que dominam o jogo da demagogia e, de repente, você vê o destino do país sendo decidido por Faustão, Angélica e Luciano Huck, num programa de auditório decorado por mulheres semivestidas.
Isso mesmo, nesse campo a Globo já montou seu próprio time. Imagina o quanto isso seria ruim em um campeonato? A emissora que transmite os jogos com liberdade pra escolher em que dias o time jogaria, em que campo e em qual horário. Seria um absurdo.
Mas na várzea da política, ninguém parece entender o quão prejudicial é o papel da imprensa no jogo eleitoral.
Numa era de Trumps e Dórias, as pessoas parecem prezar pela escalação da seleção e dar importância secundária a quem escolhe os rumos da economia, do emprego e dos serviços de um país.
Efeito do cidadão que espera até às 20h30 para comprar uma opinião formada pelo Jornal Nacional. O brasileiro indignado patológico, que só vai pra rua quando a Globo ordena, mesmo que lhe roubem a saúde, a educação e a aposentadoria.
 

Esse mesmo brasileiro não se indignou quando, dias depois do impeachment, as mesmas pedaladas que destruíram a presidenta foram incluídas na lei pelo mesmo congresso que votou o impeachment.

Esses brasileiros patológicos colocaram aquele espírito sujo (vulgo alma sebosa) na cadeira da presidência e o deixaram lá, mesmo quando as provas de corrupção se somam e ele vende o país pedacinho por pedacinho para quem dê menos (pelo menos para o país).
A desculpa é manter a estabilidade, mas que estabilidade, não sabemos. Mais um argumento comprado dos editoriais e discursos inflamados da Miriam Leitão,  Arnaldo Jabor ou das caras e olhares do Wiliam Bonner.
Enquanto isso o país se torna um caldeirão de mediocridade, e o sonho de mais educação, sobretudo educação política, se torna um sonho distante.
Rosana Medeiros

Rosana Medeiros

Publicitária, estudante de marketing político e feminista, que acredita nas pessoas e na educação como ferramenta de transformação.

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