Brasileiro profissão esperança, por Haroldo Araújo

Eduardo Giannetti é detentor do Prêmio Jabuti de melhor ensaio e melhor biografia. Seu brilhante trabalho foi desenvolvido nos meios acadêmicos e resultou em grandes obras a exemplo de “Vícios Privados, Benefícios Públicos”. Ganância, inveja, egoísmo e esperteza são analisados acerca do que têm a ver com riqueza nas nações. O professor examina a relação entre a ética e a racionalidade. A questão é examinada a partir do pensamento filosófico e econômico da antiguidade Clássica até os nossos dias. Nem existia o Brasil e já foram descobertos sinais de nepotismo na Carta de Pero Vaz de Caminha.

Pode-se verificar o estudo da contribuição das virtudes humanas para o progresso econômico. Se são virtudes, são bondades e não maldades que trazem as riquezas apontadas pelo emérito estudioso. Então, dialeticamente, precisamos enveredar pelo campo das maldades para compreender as razões que nos levam ao atraso. Nosso atraso está ligado à corrupção, então está relacionado com a maldade humana. Seria de se esperar do intelectual e bem formado ser bom, pois que recebeu educação em casa e ensino na escola. Outros dotados de boa educação em casa e sem completo ensino escolar também podem ser alcançados pela maldade que leva à corrupção. Assim é que entendemos que se se trata de pura maldade a ser identificada. Essa maldade reside na falta de firmeza de caráter.

Cumpre-nos realizar uma apreciação capaz de mostrar as raízes da corrupção no setor público, principalmente, porque é este o setor onde o grande mal ameaça (bem entendido) a alguns. O mal da corrupção se dissemina por toda a máquina pública como um vírus destruidor de nosso futuro. Pasme, sua explicação está bem definida na mitologia grega. Essa visão voltada para as falhas humanas como origem de tudo pode elucidar o porquê de tantos e variados modos de desvios serem criados na gestão pela mente humana: Desvendamos um desvio e vem um outro!

Sabemos que pode ser simplista a apreciação, mas ela é capaz de mostrar as raízes dos males que acometem a desafiadora gestão pública ocorrida desde a carta a D. Manuel até os nossos dias. A raiz da corrupção está centrada, também, nas falhas humanas. Recuamos na História para explicar os motivos do castigo de ZEUS pelas desobediências cometidas pelo homem ao que os Deuses recomendaram não fazer e fizeram. A mulher de Epimeteu, Pandora, achava que a sua caixa estava repleta de jóias e valores. Não suportando carregar uma caixa que não sabia o que continha dentro e que supunha conter valores significativos, ela não se conteve e acabou abrindo a caixa. O erro foi só a desobediência e depois viriam as consequências…

De dentro da caixa aberta soltaram-se os demônios que ainda hoje atormentam aos que não se contêm! Os demônios soltos destroem valores e pessoas vulneráveis emocionalmente e que não são capazes de controlar esses males com suas virtudes. Os demônios saídos da caixa pela sua abertura indevida ou proibida são causadores de todos os sofrimentos a exemplo da Inveja e vícios. Desesperada, a mulher de Epimeteu anda tentou fechar a caixa, sem segurar tantos demônios que dela saíram, mas a tempo de manter dentro da caixa a mais potente de todas ali guardadas e de modo que nos permita suportar as nossa dores: Na caixa, Pandora manteve presa a Esperança! Ela fechou a caixa a tempo de manter a esperança. Que bom! É o bem.

Estamos numa crise em que a Política e a Economia protagonizam uma relação difícil, muito mais difícil se torna ante a sucumbência às maldades. Uma fraqueza de caráter pessoal que acomete os seres humanos. É preciso que todos se convençam de que somente os valores humanos poderão nos salvar da sanha dos demônios e certamente do mal e assim como aqueles saídos da caixa de Pandora e descritos por Eduardo Giannetti como Vícios! Resta-nos a esperança de que Pandora em tempo manteve na caixa. Que bom. Restou a esperança.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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