Banco Central: a última trincheira e o último dos moicanos, por Jana

O Banco Central está dando sinais estranhos ao mercado. Ora, o seu papel é oferecer ao mercado uma sinalização de que ele é a âncora segura, firme e confiável num mar de tubarões famintos e agressivos. Não faz dez dias, a autoridade monetária contrariou todas as expectativas do mercado, que apostava numa queda de juros Selic, e com base nessa confiança construiu posições de portifólio e de operações a termo com renda fixa. Quando todos esperavam a redução da Selic, o BC a manteve intacta. Frustração e perdas de certo porte, desnecessárias e inúteis, que não levam ninguém a nada. E, vale lembrar, o BC tinha falado ao mercado que a tendência era de continuação da queda da Selic. Por que parou? Parou por que?

Agora, a taxa de câmbio reage com flutuação forte a mudanças de humor no mercado internacional e o Banco Central se arvora a colocar freios e barreiras, atuando de forma a surpreender os agentes tradicionais que dão vida e liquidez ao sistema e dão sentido ao modelo de taxa de câmbio flutuante. Se o Banco Central está querendo medir forças com o mercado, está ainda mais errado. Se está querendo fixar parâmetros para a oscilação, insiste no erro. Seu papel é atuar como espelho e refletir responsavelmente pela formação racional das expectativas e dar liquidez ao sistema, comprando ou vendendo, quando for o caso, à vista ou a prazo. Se quiser apostar em economizar à força dinheiro do Tesouro, vai terminar por pagar ainda mais caro.

Importa lembrar e isso é vital: não há metas para a taxa de câmbio. A taxa do dólar deve flutuar. Conter ou frear a oscilação é violar as regras e violentar o sistema, embaraçar e constranger os agentes em suas operações do cotidiano não vai ajudar em nada, nem à economia, nem ao governo, muito menos ao mercado e a seus agentes. Não custa lembrar que especulação gera liquidez, liquidez gera equilíbrio, e o equilíbrio se faz pelas forças naturais do mercado, que devem se reger única e exclusivamente pela lei da oferta e da procura.

O presidente do Banco Central Ilan Goldfajn é a última peça do tripé que o mercado em boa hora batizou de “dream team”: Pedro Parente, na Petrobrás, Henrique Meirelles, na Fazenda, e o próprio Ilan no BC. Duas peças do tripé foram desmontadas. Assim, o Brasil não avança mesmo nas importantes, necessárias e inevitáveis reformas.  Usando uma linguagem cinematográfica e de guerra, o Banco Central é a última trincheira do mercado, e o seu presidente o último dos moicanos.

Jana

Jana

Janete Nassi Freitas, nascida em 1966, fez curso superior de Comunicação, é expert em Administração, trabalhou como executiva de vendas e agora faz consultoria para pequenas e médias empresas, teve atuação em grêmios escolares quando jovem, é avessa a redes sociais embora use a internet, é sobrinha e neta de dois vereadores, mas jamais engajou-se ou sequer chegou a filiar-se a um partido, mas diz adorar um bom debate político. Declara-se uma pessoa “de centro”. Nunca exerceu qualquer função em jornalismo, não tem o diploma nem o registro profissional. Assina todos os textos e inserções na internet como “Jana”.

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