A produção capitalista os mantém tão bem presos

“Na opinião dos sociólogos, a perda do apoio que a religião objetiva fornecia, a dissolução dos últimos resíduos pré-capitalistas, a diferenciação técnica e social e a extrema especialização levaram a um caos cultural. Ora, essa opinião encontra a cada dia um novo desmentido.”

“A unidade evidente do macrocosmo e do microcosmo demonstra para os homens o modelo de sua cultura: a falsa identidade do universal e do particular. Sob o poder do monopólio, toda cultura de massas é idêntica, e seu esqueleto, a ossatura conceitual fabricada por aquele, começa a se delinear.”

“O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte. A verdade de que não passam de um negócio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem.”

“Os padrões teriam resultado originariamente das necessidades dos consumidores: eis por que são aceitos sem resistência.”

“Por enquanto, a técnica da indústria cultural levou apenas à padronização e à produção em série, sacrificando) o que fazia a diferença entre a lógica da obra e a do sistema social. Isso, porém, não deve ser atribuído a nenhuma lei evolutiva da técnica enquanto tal, mas à sua função na economia actual. A necessidade que talvez pudesse escapar ao controle central já é recalcada pelo controle da consciência individual.”

“A produção capitalista os mantém tão bem presos em corpo e alma que eles sucumbem sem resistência ao que lhes é oferecido.”

(Trechos da obra Dialética do Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos, de Theodor W. Adorno e Max Horkheimer; ZAHAR; 1985)

Angela Ferreira

Angela Ferreira

Graduanda em Ciências Sociais na Uece.

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