Bolsonaro e os jovens, por Gilvan Mendes

Na última quinta-feira (16/11), a BBC Brasil fez uma matéria discorrendo sobre o fato de 60% dos eleitores do presidenciável Jair Bolsonaro serem pessoas de faixa etária entre 16 e 34 anos.  Segundo a reportagem, os jovens que apoiam o parlamentar conservador, admiram a sua postura de ”outsider” que fala de maneira ”politicamente incorreta” e não se intimida em dizer o que pensa. Além disso, o ex-militar sabe usar muito bens os mecanismos das redes sociais, que é um espaço pouco reflexivo e que favorece os discursos rasos e extremistas. Um dos entrevistados pela matéria fala que conheceu o ”mito” por um meme ninternet. Mais alarmante do que isso, é que as opiniões equivocadas do deputado, como afirmar que o período da ditadura militar foi positivo para o país, é simplesmente reproduzido pelos jovens seguidores, sem nenhuma contestação. 

O fim do ciclo de governos petistas ajudou bastante a ascensão de Jair Bolsonaro: o PT, diz, representa a esquerda no ideário do senso comum, foi essa esquerda que ”quebrou o Brasil” e ”roubou a nação”. Desse modo um deputado que nunca tinha feito nada de relevante em todos os seus 26 anos de atuação no Congresso, ganha força quando diz que vai ”limpar o país dessa sujeira” e colocar ”vagabundo na cadeia”. Sua retórica supostamente liberal na economia também agrada grupos de classe média que constantemente criticam o funcionalismo público. As plataformas de vídeos na internet facilitam a vida de indivíduos extremistas e sectários que buscam recrutar apoiadores e difamar os seus adversários políticos, além de ridicularizar sujeitos que discordam das suas visões de mundo. O meme virou uma fonte segura de informação e conscientização. O bom jornalismo está morto, viva a fake news

É nessa conjuntura que o candidato da extrema-direita cresce nas pesquisas de intenção de voto. Seu moralismo e autoritarismo devem ser vistos com preocupação para quem defende a democracia. Não adianta rir dos seus apoiadores. Nos EUA ano passado, intelectuais e jornalistas riram com todo gosto dos eleitores de Donald Trump. E no fim o bilionário virou presidente. Bolsonaro deve ser criticado e rebatido com seriedade e racionalidade.  

Alexis de Tocqueville fala em ”educar a democracia’, o que significa adaptar o sistema democrático de uma sociedade para favorecer a participação popular e a cidadania. Posicionar-se contra as ideias de Bolsonaro é primordial para abrir caminho para o fortalecimento da democracia brasileira.

Que a eleição americana do ano passado nos sirva de exemplo.
Gilvan Mendes Ferreira

Gilvan Mendes Ferreira

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará.Com interesse nas áreas de Teoria Política , Democracia e Partidos Políticos.

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