10 ideias para um governo Hulk-Meirelles, por Capablanca

É sério:

Ideia 1 – Imediatamente após a privatização das companhias de água e esgoto de cada estado do Rio Grande do Sul ao Amazonas, pode-se liberar o preço da água e cobrar conforme o fornecimento a cada residência ou empresa conforme o volume das chuvas e conforme o nível dos reservatórios. Quantos mais chuvas, mais baixo os preços, mas só a partir da média, claro. Quanto mais baixos os níveis dos reservatórios, mais altos os preços. Naturalmente, o preço dos serviços de esgoto varia da mesma forma. Assim, protegemos os consumidores dos “políticos” e dos “corruptos”.

Ideia 2 – Tão logo concluída a privatização das grandes empresas geradoras de energia (as hidrelétricas que o Estado construiu, gastando fortunas) e da hipertrofiada Eletrobrás, é preciso mudar o sistema de tarifação para os consumidores de todo tipo. O preço não pode mais ser o de custo acrescido de uma taxa razoável de rentabilidade. Este nível atual passa a ser apenas uma referência do passado, que terá sido útil para facilitar a adesão dos novos investidores estrangeiros ou nativos. A partir do momento seguinte, os preços devem ser definidos numa bolsa de valores totalmente sujeita ao jogo da oferta e da procura, que é a lei natural mais justa, o jogo livre do mercado. Os empresários já entendem bem esse jogo, é só explicar direitinho à população.

Ideia 3 – Fatiada e enfraquecida a Petrobrás, nem interessa mais se ela será privatizada ou não, quem se interessaria depois da nova configuração do pré-sal? Os preços de qualquer derivado de petróleo devem passar a ser livres e o mercado precisa ser desregulamentado. Que se feche o Conselho Nacional de Petróleo, uma economia de vários milhões para os cofres do Tesouro. O que restar da Petrobrás deve ser direcionado para novas pesquisas apenas, com apoio do Tesouro. Quem sabe ela descobre novas e promissoras reservas.

Ideia 4 – O custo de proteger e fiscalizar a Amazônia está ficando cada vez mais elevado, sem falar que os resultados são limitados. Convém pensar em poupar o Tesouro nacional desse gasto inconsequente. Inúmeras opções se abrem nessa perspectiva. Podemos abrir oportunidades para projetos inovadores de ONGs de todo o mundo desenvolvido ou criar uma força militar internacional que efetivamente constranja os madereireiros criminosos.

Ideia 5 – Privatizar rapidamente o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Nordeste, o Banco da Amazônia e o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, ou o que ainda restar dele). Para os servidores de todos eles, um curso de empreendedorismo é bastante recomendável, antes ou em paralelo aos amplos PDVs.

Ideia 6 – Fundir a BM&F Bovespa com a Bolsa de Valores de Nova Iorque. As ações brasileiras terão mais liquidez e as empresas terão acesso a mercados muito mais abertos a IPOs (ofertas iniciais de ações). Como praticamente não há mais corretoras, tudo é feito pelos bancos, ninguém quase vai notar a diferença.

Ideia 7 – Nessa caminhada de integração e globalizacão, podemos radicalizar na abertura e abrir o mercado nacional aos bancos e instituições estrangeiras. A extinção do Banco Central não deve ser descartada e talvez o Tesouro possa fazer um bom caixa no processo e, finalmente, baixar o custo da rolagem da dívida para padrões internacionais. Afinal, o mercado já está maduro o suficiente para dispensar completamente a “proteção” oficial.

Ideia 8 – Simplificar o processo eleitoral, reduzindo seus custos. Fim do horário eleitoral, coincidência de todos os mandatos, seleção prévia dos candidatos por análise de currículos e avaliações escritas, volta do financiamento empresarial livre, pesquisas eleitorais restritas aos partidos com divulgação proibida, fim da remuneração dos parlamentares, são ideias que o povão vai curtir e aplaudir.

Ideia 9 – Permitir que a educação e a saúde tenham acesso a mais recursos. As universidades públicas ainda sobreviventes devem ser liberadas para cobrar de forma criteriosa de seus alunos, assim como o SUS pode ser liberado para criar “planos de saúde sociais”.

Ideia 10 – Investir no agronegócio, sobretudo atraindo o empreendedor estrangeiro com seu “know how” e seu capital. E apostar no turismo, com destaque para o futebol e o carnaval.

É ironia.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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